Brasileiros investem fora do país

Uma recente pesquisa sobre o perfil do imigrante brasileiro nos EUA, desenvolvida pela JBJ Partners, foi destaque no Jornal do Comércio

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Crise financeira e de segurança pública tem influenciado nesse movimento -

Marcelo Camargo/ABR/JC - Jornal do Comércio

Nos últimos seis anos, o número de declarações de saída definitivas do Brasil junto à Receita Federal quase triplicou, segundo o órgão. Enquanto, em 2011, 8,1 mil pessoas buscaram outros países como residência; no ano passado, o total subiu para quase 22 mil. Na avaliação de especialistas em expatriação, a crise financeira e de segurança pública tem influenciado nesse movimento. Por esse contexto, os vistos de permanência no exterior mais procurados são aqueles que, a partir de um investimento, permitem receber os direitos de um cidadão natural.

O país mais demandado neste sentido é os Estados Unidos, onde, no ano passado, os brasileiros investiram US$ 37 bilhões, montante que gerou mais de 74 mil empregos segundo levantamento da U.S. Bureau of Economic Analysis. A JBJ Partners, especializada em empreendimentos e moradia nos Estados Unidos, conduziu pesquisa sobre o perfil desse investidor. "Ele é bem-sucedido, geralmente com filhos pequenos, e cansou da violência e instabilidade do País", comenta o sócio Jorge Brotel.

Pelo levantamento, 95% dos pesquisados afirmam não ter planos de voltar a viver no Brasil nos próximos anos. As principais razões elencadas são violência, instabilidade econômica e corrupção. Nos últimos quatro anos, segundo a pesquisa, o percentual de pessoas com formação superior que se mudou para os Estados Unidos subiu 10 pontos percentuais, passando de 83% para 93%. Além disso, o percentual de expatriados casados subiu para 68%, e, destes, 83% são casados e têm filhos. Essas categorias, há quatro anos, correspondiam a 41% e 63% do público, respectivamente, o que evidencia o caráter de proteção dos familiares da violência brasileira, na avaliação de Brotel.

O visto de investidor mais usual para brasileiros que querem viver nos Estados Unidos é o L1, que teve aumento de 11% entre 2016 e 2017 nas relações entre os dois países. No mesmo período, a modalidade de imigração para as demais localidades do globo caiu 1%. Na prática, o L1 permite que executivos administrem uma subsidiária de empresas de faturamento mínimo de US$ 1 milhão nos Estados Unidos, segundo Léo Ickowicz, sócio da Elite International Realty.

Ickowicz foi um dos beneficiados pelo visto L1, ainda nos anos 1990, em busca "oportunidades". Com empresa instalada no Brasil no ramo turístico, abriu uma subsidiária em Miami, na Flórida. O empresário relata que, na época, as dificuldades de emigração eram maiores. "Não havia empresas que prestam auxílio com aspectos da mudança, adaptação, questões jurídicas e tributárias", lembra. Assim, a Elite passou a atuar também na superação das dificuldades. Sua empresa tem sede em Miami, conta Ickowicz, por causa da grande comunidade brasileira da Flórida - estado que está no topo de desejo dos brasileiros no mundo.

Nesse sentido, quase 50% dos brasileiros emigrantes ao país escolhem a Flórida como residência, segundo pesquisa da JBJ Partners. "A Flórida é um dos estados que mais crescem em termos de população e economia, e historicamente foi escolhida pelos brasileiros pela ausência de Imposto de Renda estadual e pela facilidade de acesso a partir do Brasil", explica Brotel. Em segundo lugar está a Califórnia, com procura relativamente menor, de apenas 14% dos emigrantes.

Além do L1, também é possível solicitar permanência a partir do visto EB-5, que exige investimento de US$ 500 mil em empresas que criem, ao menos, 10 postos de trabalho no prazo de dois anos. Ao final do prazo, o Green Card é concedido ao investidor, caso a condição de criação de vagas tenha sido cumprida. Para brasileiros com dupla cidadania, como italiana, alemã e espanhola, o visto E2 permite o mesmo processo com investimento inferior, a partir de US$ 100 mil. Nos três casos, o documento inclui alguns familiares, como esposo ou esposa e filhos.

Green Card em alta

Somente no ano passado, 282 brasileiros receberam o Green Card a partir da submissão do visto EB-5. Esse número é 88% superior ao total de 2016, quando 150 brasileiros foram contemplados com essa espécie de visto por investimento, segundo dados oficiais do Departamento de Imigração dos Estados Unidos. Com o avanço, o Brasil se destaca como um dos principais mercad