Contratação temporária via F-1 ultrapassa números de H-1B para estudantes nos EUA


Os Estados Unidos figuram no topo da lista dos países mais procurados por estudantes universitários estrangeiros com mais de um milhão deles espalhados pelo país. Com programas que aliam estudo a um posterior trabalho e futura residência legal, milhares se candidatam todos os anos, mas mudanças nas regras vêm diminuindo o número de concessão do visto de trabalho H-1B e aumentando em programas que permitem trabalhar legalmente sob visto de estudante, como o Optional Practical Training (OPT).

Estudantes da Índia, China e Coreia do Sul representam 57% de todos os participantes do programa Optional Practical Training (OPT) entre 2004 e 2016, segundo o Pew Research Center. Junto com o STEM (cursos voltados para a área da ciência, tecnologia, engenharia e matemática), esses programas são considerados um bom trampolim para um H-1B (visto de trabalho para emprego em uma ocupação especializada) ou ‘green card’ (residência permanente).

Para Henrique Ricardo dos Santos, que veio há mais de 20 anos como estudante de mestrado, passou de estudante para profissional por meio do H1B, e depois obteve a residência permanente,os processos de um para o outro foram rápidos.

“Naquela época eram poucos brasileiros que vinham para cá, então eu acho que isso também ajudou. Quase não tinha brasileiro. Mas ter o conhecimento na área para a qual se aplica e fazer corretamente todos os trâmites é fundamental”, diz Santos que hoje é diretor da Fisan Global Business & Investments, em Orlando.

Santos conta que, após formar em Engenharia Química pela Universidade Federal do Paraná e trabalhar por um ano numa empresa multinacional de Curitiba, começou a pesquisar universidades nos EUA que ofereciam bolsas de estudo e acabou conseguindo entrar na ase Western Reserve University (Case) em Cleveland, Ohio, em 1991, para fazer mestrado em Engenharia Química.

No final do mestrado foi contratado por uma empresa local que pagou pela mudança do visto F1 para H1B e ao mesmo entrou também com pedido para Green Card. “A empresa já tinha uma parceria com universidade e conhecia meu trabalho. Creio que isto tenha ajudado bastante no processo”, conta.

Imigrante qualificado

Entre 2004 e 2016, quase 1,5 milhão de graduados estrangeiros de faculdades e universidades dos EUA obtiveram autorização para permanecer e trabalhar nos EUA por meio do Programa de Treinamento Prático Opcional (OPT) do governo federal. Mais da metade (53%) dos graduados estrangeiros foram aprovados para empregos especializados nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (programa STEM), de acordo com uma análise do Pew Research Center dos dados de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA.

Nos últimos anos, o programa OPT superou o programa de vistos H-1B como a maior fonte de novos trabalhadores temporários imigrantes altamente qualificados do país. Em 2017, um recorde de 276.500 graduados estrangeiros recebeu permissão de trabalho no âmbito do programa OPT, acima de 257.100 em 2016, de acordo com dados obtidos na Imigração e Alfândega dos EUA pelo Pew Research Center.

F1 x H-1B

Geralmente, os estudantes estrangeiros começam usando a autorização temporária de trabalho por meio do seu visto de estudante até serem transferidos para um H-1B. Mas as regras para mudança de “status” como de um visto de estudante (F-1) para um visto de trabalho (H1-B) vêm tornando o processo mais complicado. Em muitos casos, os programas Optional Practical Training (OPT) e o STEM (cursos voltados para a área da ciência, tecnologia, engenharia e matemática) ainda são considerados um trampolim melhor para um H-1B ou ‘green card’.

A advogada de imigração Leonelba Martinez explica a diferença entre poder trabalhar pelo visto F-1 e o H1-B. “Embora o OPT seja um benefício do status F-1 que permite que os alunos trabalhem por um ano (possivelmente mais se o aluno for elegível para uma extensão), o H-1B é uma classificação não-imigrante separada especificamente para o emprego onde o portador do visto pode ficar até 6 anos nos EUA”, ressalta.

Pelo tempo maior de permanência legal no país, Martinez ressalta que o H-1B é um “visto atrativo para muitos estudantes que estão concluindo seus estudos no EUA, estão em status legal no país e por estarem estudando nos EUA tiveram contato com futuro empregadores e ofertas de trabalho”.