O raio-x dos investimentos brasileiros em Miami

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Miami não é mais sinônimo apenas de turismo, compras e diversão, imagem que muitos brasileiros aprenderam a associar a ela. Nos últimos anos, a metrópole americana se consolidou como ponto de atração de investimentos e empreendimentos de grande porte, tendo se tornado um dos principais destinos do dinheiro estrangeiro que circula na mais latina das cidades dos Estados Unidos.

Segundo dados do Consulado Geral do Brasil em Miami, ela está em posição de destaque no mapa dos 300 mil brasileiros que vivem na Flórida – a maior concentração verde-amarela em um estado americano. Juntos, eles movimentam US$ 5 bilhões por ano e são os estrangeiros que mais gastam em imóveis em Miami e outras cidades do sudeste do país, como Orlando e Fort Lauderdale. Isso sem contar investimentos em outros setores, como indústria, finanças, alimentação e varejo.

Um dos pioneiros em apostar muitas fichas em Miami foi o empresário carioca José Isaac Peres, dono do grupo Multiplan. Nos anos 1990, o grupo investiu na construção de um condomínio de luxo na Ocean Drive, uma das avenidas mais nobres da cidade americana. Concluído em 1998, o Il Villagio recebeu investimento de US$ 75 milhões na construção de um condo de 127 apartamentos distribuídos em 16 andares, com vista para o mar. Na época do lançamento, em 1995, o preço das unidades variava de US$ 250 mil a US$ 700 mil. Para se ter ideia da pompa que cercou o lançamento, a festa de apresentação do projeto teve a presença do tenor italiano Luciano Pavarotti. No ano de conclusão, o Il Villagio foi premiado pela Ernest & Young como melhor empreendimento imobiliário multifamiliar dos EUA.

Recentemente, Peres voltou à carga no mercado imobiliário de luxo de Miami, em carreira solo. O magnata submeteu ao Miami Beach Design Review Board, no ano passado, seu projeto de construção de uma torre residencial de luxo na área que abriga um dos edifícios mais antigos de Miami Beach. Para isso, a Miami Beach Associates LLC, empresa de Peres na Flórida, solicitou a demolição do Marlborough House Condominium, prédio de 12 andares que ocupa desde 1961 um endereço privilegiado, de frente para o mar, na Collins Avenue. A proposta de demolição causou polêmica – vários moradores e frequentadores do bairro manifestaram-se contrariamente, com argumentos ligados à preservação histórica e arquitetônica do lugar.

Precavido, Peres não quis falar sobre o projeto, mas, segundo fontes locais, a companhia do empresário na Flórida adquiriu as 110 unidades do Marlborough House dos proprietários individuais em várias transações, numa negociação concluída na segunda metade de 2016. A compra de todos os imóveis da área de 5.900 metros quadrados foi estimada pelo mercado em US$ 100 milhões.

Empreendimento de Isaac Peres: desbravador

No endereço, na 5775 Collins Ave, o bilionário brasileiro pretende erguer uma torre de 17 andares, com 86 apartamentos, garagem subterrânea, salão de festas e piscina de frente para a praia.

TRAMPOLIM

Outra empresa brasileira que elegeu Miami para lançar âncora nos EUA foi a Pandurata Alimentos, dona da marca de panetones Bauducco. Depois de quase quatro décadas exportando para o mercado americano via Miami, a companhia decidiu instalar na metrópole um complexo com fábrica, centro de distribuição e centro administrativo – como trampolim para os demais estados americanos.

“Nós temos uma visão muito ambiciosa para a expansão, e os Estados Unidos são o melhor mercado para o desenvolvimento”, disse Erik Volavicius, diretor de marketing da Bauducco nos EUA, na época do anúncio do projeto. “Escolhemos Miami porque, como o Brasil, ela tem uma cultura muito diversificada. E também por causa de suas vantagens logísticas.”

Primeira planta da marca fora do Brasil, a fábrica de 22 mil metros quadrados iniciou operações em 2016 produzindo panetones, wafers, biscoitos e torradas. Além do mercado americano, onde a maior fabricante de panetones do mundo já detinha então uma participação de 54% do segmento, a unidade também foi criada para abastecer o Canadá e Porto Rico. A Pandurata, de São Paulo, não divulga valores de investimento, mas o governo de Miami revelou que só na primeira fase do projeto a empresa injetou US$ 12 milhões.

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