“Donald Trump intensificou o nosso trabalho”

Jorge Botrel – Sócio da consultoria JBJ Partners

Jorge Botrel é administrador de empresas pela FEA-USP com extensão pela Universidade de Turku (Finlândia), com MBA Executivo em Finanças pelo Insper e especialização em Vendas e Estratégia por Harvard Business School (EUA). Antes de atuar como consultor, trabalhou durante 17 anos em posições executivas pelas áreas Comercial, Marketing e Planejamento de Vendas e Operações, em empresas como Credicard, Vivo e Nextel, onde foi o Diretor Comercial Nacional, com uma equipe de vendas de mais de 2000 vendedores em todo o país, focados tanto no B2B quanto no B2C.

Participou do planejamento e execução de planos de vendas com crescimentos anuais acima de 20%, elaboração de estratégias de segmentação de canais de vendas, alinhamento dos indicadores de performance operacionais e estratégicos e lançamento de produtos e serviços. Jorge é sócio da JBJ Partners. A empresa nasceu da percepção dos sócios da KC&D, empresa de consultoria empresarial brasileira atuando com sucesso desde 2005 no mercado brasileiro, de que existia um público capacitado cada vez maior, disposto a empreender nos Estados Unidos.

Criando uma rede de parceiros que possuem mais de 10 anos de experiência no mercado norte-americano, a JBJ Partners nasceu com a missão de ajudar essas pessoas a terem sucesso nas suas atividades de empreendedorismo em território estrangeiro.

Jorge, como surgiu a JBJ Partners?

A JBJ Partners nasceu em Miami, há quase 3 anos, como um spin-off da KC&D, uma boutique de consultoria em gestão empresarial criada em 2005 em São Paulo, fundada pelo prof. David Kallas, que é um dos maiores especialistas em Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial do Brasil. Percebemos que havia um interesse cada vez maior das empresas brasileiras explorarem o maior mercado consumidor do mundo e precisavam de ajuda especializada para isso. E junto com essas empresas, enxergamos também a necessidade de apoio que os donos e executivos dessas empresas, juntamente com suas famílias, precisavam para montar o seu plano de expatriação. Fizemos a lição de casa: começamos pequenos nos EUA, desenvolvendo primeiro know-how e networking, para depois investir mais forte em contratação de equipe e divulgação.

A fuga de cérebros do nosso país para os EUA tornou-se mais constante nesses tempos de crise?

Sem dúvida alguma. O perfil do brasileiro que vem para os EUA hoje é bem diferente do perfil de 10 anos atrás. O perfil atual possui mais famílias, profissionais com nível superior e uma boa parte com MBA, PhD, Mestrado ou Doutorado, que se planejaram bastante antes de virem para os EUA. Em pesquisa que conduzimos em fevereiro do ano passado, com 240 respondentes, brasileiros, em 20 estados diferentes dos EUA, o total de pessoas com Superior Completo ou acima, que vieram para os EUA nos últimos 4 anos, foi de 69% versus 61% de quem veio há mais de 4 anos. Se olharmos apenas os profissionais com Doutorado, Mestrado, MBA e PhD, esse número passou de 18% para 23%. São pessoas que poderiam contribuir imensamente com o Brasil, mas que pela falha do Governo em prover uma infraestrutura mínima para a população, optaram por começar uma vida nova em outro país.

Segurança é o principal definidor para essa procura por um ambiente mais propício para o desenvolvimento profissional e pessoal?

Sim, nessa mesma pesquisa, temos segurança sendo apontada por 56% dos pesquisados como o primeiro motivo para terem saído do Brasil, mais do que política com 47%, baixa qualidade de vida com 45% e instabilidade econômica com 45%. Em resumo, as pessoas estão cansadas de não terem a liberdade de andarem tranquilas pelas ruas e até mesmo de ficarem em casa, e não acreditam mais nos políticos brasileiros e na capacidade deles de mudarem esse cenário. Uma coisa que escutamos muito é que as pessoas não enxergam esse cenário mudando nos próximos 20 a 30 anos e elas desistiram de jogar contra todo o sistema já instalado e operante para tentar mudar esse cenário. Então, não resta alternativa a não ser se conformar com o caos atual ou começar novamente em um novo país.

O que o empreendedor precisa para se estabelecer legalmente nos EUA?